sábado, 15 de setembro de 2007

O ambiente inovador da EAD: agente de mudanças e transformações das práticas pedagógicas

“Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantém distantes professores e alunos” (Moran, 2001)
O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação está diretamente atrelado a uma evolução que iniciou através dos correios, passando aos programas de rádio e TV, vídeos, computadores e chegando até as sofisticadas transmissões e conferências via satélite e a Educação a Distância tende a apoiar-se cada vez mais em tecnologias emergentes que facilitam o seu acesso e aceitação. Diante desta evidência, verifica-se uma forte tendência da educação presencial integrada com a Educação a Distância, tendo esta como suporte a anterior ou vice-versa.
Mas, adotar estratégias tecnológicas na EAD exige um repensar na relação professor-aluno e dos meios de comunicação e interação que poderão aproximar as pessoas, como também afastá-las. Algumas tendências acenam para que a EAD adote uma abordagem problematizadora, investigativa e reflexiva contrapondo à lógica de estímulo-resposta, ocasião onde o programa é que conduz o usuário. Conforme Belloni (2003), essas tendências sinalizam para alunos mais autônomos, maduros e que estão sempre prontos para aprender, contudo, os ambientes devem prover as tecnologias e as facilidades para a implementação da interação, que visa viabilizar o processo de ensino-aprendizagem, contudo, é importante salientar que não é o ambiente em si próprio que determina a interatividade e sim os atores que fazem parte deste cenário, objetivando a construção do conhecimento, de forma colaborativa.
A aprendizagem colaborativa é um processo importante para o compartilhamento de um objetivo comum e sua metodologia envolve a interação, que deve romper a lógica de ensino tradicional para uma prática mais inovadora, promovendo uma relação afetiva com o conhecimento, de forma reflexiva e mais autônoma.
Viabilizar na EAD o aprender a aprender, integrando o homem aos meios tecnológicos e sendo ele o condutor dos processos é fazer um confronto dialético voltado para a ação humanizada na reestruturação do processo de ensino-aprendizagem, integrado às tecnologias de informação e comunicação. O trabalho do professor se dá com os alunos e não sobre eles ou do professor consigo mesmo. Refletindo sobre esta perspectiva, Freire (2003) diz: “o ensinar inexiste sem aprender e vice-versa”, e nesta dinâmica os educandos se modificam continuamente em sujeitos autores e construtores dos seus saberes. Por isso, “ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para sua produção ou a sua construção”.
É notório que na Educação a Distância a interatividade entre professores e alunos é essencial, visto que sem esta interação o aprendizado pode ser realizado, mas a sua qualidade e valor significativo ficam comprometidos. Essas vantagens são relevantes na educação, proporcionando uma maior produtividade, rapidez e retorno imediato, com um custo-benefício favorável, tanto para os alunos, professores, como também para a instituição de ensino.
Diante disso, o ambiente inovador da EAD torna-se um agente de mudanças e transformações das práticas pedagógicas, onde o aluno é instrumentalizado para investir em sua formação, apropriando de conhecimentos, numa relação mais dialógica com os professores e alunos, formando uma rede colaborativa, onde os aspectos da interatividade são reforçados e a autonomia valorizada consideravelmente.
O desenvolvimento destes espaços flexíveis de ensino-aprendizagem é o grande desafio da educação e o presente artigo buscou enfocar estes aspectos, ressaltando a importância e o caráter inovador desta modalidade de ensino como alternativa para uma educação flexível e de qualidade.

Valéria Ribeiro de Carvalho Tavares*
* Especializanda em Educação a Distância pela Universidade Católica Brasília

Fonte: http://www.seednet.mec.gov.br/

Um comentário:

Jackelyne disse...

Apreciei muito a escolha deste texto.
Um ponto que me chamou bastate atenção é sobre a idéia da autora quanto a aprendizagem colaborativa mediada nas interações... com essa idéia concluo que mesmo distantes no espaço as interações podem ocorrer exaltando pois a colaboração e cooperação, passo oposto de um mundo inundado pela competitividade. Tal idéias sugere-me também uma questão reflexiva e investigativa: o que leva o indivíduo a cooperar com a aprendizagem do outro em um ensino a distância já que muitas vezes não se pode saber ao certo a motivação do mesmo neste processo de ensino e aprendizagem?